segunda-feira, fevereiro 23, 2015

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   Creio que há beleza nessa paisagem apagada. Creio apenas, visto que tenho todo o receio e temor de ser a única a admirá-la. Mas o verde musgo das plantas - que, em dias normais, são de um verde vivo - me inspiram em demasia. E, não bastasse toda essa morbidez das árvores, tem as flores. Gosto se são brancas, mas também acho charmoso se são rosas, roxas ou azuis.A neblina me lembra um episódio de Horror House, aquele em que a menina parece toda ensanguentada devorando um carneiro. Quase me esqueço do frio, que me deixa triste de um jeito tão feliz e bonito. Coloquei Regina Spektor para tocar. Ela sabe bem o quão agoniante é se ver sendo salvo desnecessariamente, visto que se é o herói da história. Tentei ler Bukowski, mas não gosto de cutucar minha ninfomania em locais públicos, pois me parece insano. Sai o lascivo e entra o depressivo. Melhor encobrir. Suspiro fundo. Olho a janela. Estou certa de que há beleza nessa paisagem apagada.

Vitória

Um comentário:

  1. Ah beleza também nas suas palavras.
    Imaginei um lugar bonito, onde a gente se senta e dá vontade de ficar em silencio observando o lugar, respirando o ar que vem de longe, frio.

    Boa noite, bjos.

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