segunda-feira, novembro 21, 2016

Lost

Aqui jaz o momento voraz em que eu quis te ligar para falar de tudo o que vem acontecendo - apenas na minha cabeça. Eu sei que pra você tá tudo bem, que eu não mudei, que a sua vida anda agitada e que você tem se divertido muito. Eu sei também que é exatamente o mesmo que você pensa sobre mim, visto que eu jamais teria coragem de abrir a boca pra te contar do turbilhão de tristeza que me assolou na última semana.
Eu vi o mundo rodar trinta vezes antes de escrever isso aqui.
E fazia um tempão que eu não queria escrever sobre nada, afinal, tudo estava indo muito bem.
Mas parece que a vida decidiu brincar mais um pouco comigo. Quando eu finalmente me curei do maior baque da minha vida, você apareceu. Não é fácil pra mim, gostar das pessoas. Eu, que sou desapegada até o último fio de cabelo, vi minha muralha pessoal desabando por sua causa.
Vamos lá, eu te explico.
Acontece que da última vez que nos víamos eu estava confusa porque não conseguia parar de pensar em você há dias. Nem por um minuto. Eu achei que seria algo momentâneo, que olhar um pouco pro teu olho de esperança faria todo esse desconforto passar.
O problema é que quando você me deu um beijo na bochecha pra se despedir, eu vi que queria bem mais que só amizade. E, enquanto eu olhava apaixonada e sorridente para a porta vendo você partir no meio das suas corriqueiras palhaçadas, eu percebi que estava perdida. Toda errada. Desamparada.
E aquela coisa toda de não parar de pensar em você foi aumentando...
Eu tava numa cidade maravilhosa em um feriado só pra mim. Choveu. E eu só pensava em como você deveria estar curtindo a vida e dando aquela gargalhada estranha que você dá. Eu ficava olhando o celular de dois em dois minutos, porque vai que você lembrou de mim em algum momento. Mas não lembrou.
E foi aí que eu bebi o mundo todo pra tentar fugir só um pouquinho dessa sua presença constante na minha cabeça. Deu errado. Eu falei de ti pra deus e o mundo enquanto enfrentava o maior porre da história. Eu tentei te achar em outra boca, em outra garrafa, em outra cama. Nada funcionou. Mas calma, podia ser só outro momento de fragilidade.
Eu tava sentada e feliz porque não te via há uma semana. Eu ouvi tua voz de fundo e ali teve coisa nova: eu nunca tinha perdido o ar por causa de ninguém! Senti meu rosto ficar quente e o que eu tava falando me sumiu da memória. Eu não sabia respirar? Tinha esquecido. Você tava sorridente, me chamou por apelido e eu só consegui murmurar um "É.... Oi." Fui pro banheiro chorar.
Chorei porque sabia que, apesar de ser toda essa luz matinal, você é egoísta, imaturo e vingativo. Chorei porque eu sei que tô perdida. Chorei porque eu não conseguia mais ouvir música romântica e precisei ouvir funk o dia todo pra não perder o fio da meada. Chorei porque precisava sorrir na tua frente. Chorei porque pra ti nada disso é real.
E eu podia te ligar agora e obedecer esse impulso maluco que tá gritando em mim. Podia te falar que não quero ser nada mostrável na tua vida. Só queria ir até o fundo em você. Mas você provavelmente vai rir, perguntar se bebi de novo ou achar que tô brincando. Vai me achar boba, vai perceber que eu tô perdidamente doida por tua causa e vai fugir.
Sigo calculadamente fingindo que tá tudo bem, até que fique tudo bem de fato. Até que as borboletas em meu estômago se acalmem, até que o ar volte para meus pulmões. Até que eu ache meu caminho. Sigo fingindo enquanto meu amor próprio vagueia por lugares desconhecidos, desgarrado de mim há um tempo, fazendo-me passar por todo esse furor...

P.s.: Este é meu primeiro escrito pra você.

Vitória

Um comentário:

Talk dirty to me...