terça-feira, abril 21, 2015

Dezesseis quartos, quatro andares

   Quando senti os primeiros pingos gélidos tocarem-me a face, eu soube o motivo de estarmos ali e instantaneamente senti que aconteceria. Finalmente. Eu senti seu braço apoiado na minha coxa e todos os pelos do meu corpo arrepiaram-se imediatamente. Suas veias, sempre dilatadas, imploravam meu toque e eu cedi como sempre cedia quando o assunto era você. Sua pele dourada contrastou com a minha e nossos olhos se cruzaram. Os meus, escuros como o céu que pairava sobre nós. Os seus, esverdeados como a esperança que me acometeu todos esses anos. E nós fizemos chover.
   Não entrarei nos méritos que a descrição hiperbólica poderia me proporcionar. Tudo o que chegou a acontecer, o silêncio, o calor, o suor e as expressões estarão conosco pelo resto do tempo. Não haverá repetições ou insinuações delas. Todos os arrepios, a explosão de sensações, a visão da chuva na janela e a minha respiração no vidro. Tudo ficará em nossas memórias e apenas nelas. Para nunca mais, ninguém. Fica aqui apenas o registro para que eu nunca esqueça de que este sonho aconteceu. O erro habitual e favorito. Eterno.

Vitória.

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