domingo, agosto 28, 2011

Café e mirra.



Era como tomar o mais forte dos calmantes, depois de uma briga por um motivo bobo. Era como passar a tarde sentada numa cafeteria de esquina, tomando capuccino e esboçando poesias num guardanapo. Ou então tomar banho de chuva, depois de assistir ao seu filme preferido.
Aliás, tinha cheiro de café. Café e mirra, num só ambiente, misturados com uma eficiência inebriante. Chegaria a ser indescritível, se houvesse algo indescritível no mundo.
Era como cair. Tropeçar sem ver e mergulhar num poço sem fim. Elevar os braços para dar um toque poético no fato, e fechar os olhos para apenas sentir. E conseguir. Toda a serenidade possível presente numa única face, numa única feição. Todo o amor estampado num único gesto e sem outras intenções.
Deitar-se sobre a água gélida, sem eriçar os pêlos e apenas sorrir. Deixar lentamente de respirar, e permitir-se ir até as profundezas quase azuis daquele lugar tão único.
Assim era a morte.

Vitória Tavares

5 comentários:

  1. "assim era a morte". Será. Seu texto foi um tanto confuso, mas aos poucos os pontos se ligam e o texto tem o seu sentido. Gostei muito.
    Era como cair. Tropeçar sem ver e mergulhar num poço sem fim. Elevar os braços para dar um toque poético no fato, e fechar os olhos para apenas sentir. E conseguir." <3

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. O texto , que de meio desconexo, ganha todo nexo a medida que se desenvolve com esse ar poético, sombrio, melancólico, intenso e encantado, por mais que se trate da morte.

    Adorei!

    Beijo!

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  5. Nossa! Muito muito bom! "Assim era a morte". Eu achei ele meio confuso, mais no final tudo fez sentido,parabéns.
    http://senhoritaliberdade.blogspot.com/

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