domingo, abril 26, 2015

Cais

   Acontece que, quando eu olhava fundo nos teus olhos, eu enxergava o amor. Eu sentia que aquilo tudo era puro e verdadeiro, único e leal, paciente e singular. Eu jamais me preocupei em fazer algum tipo pro teu julgamento ou te deixar curioso sobre o que eu era. Eu realmente senti que podia ser o que eu sabia ser e podia fazer milhões de esforços para te fazer igual. Eu vi a sinceridade ali, naquele brilho intenso e esverdeado nas tardes chuvosas. E choveu. Eu pude sentir os braços latejando, tamanha a força com a qual eu fechei as mãos. Os pingos gélidos que me acometeram os ombros, os olhos e os cabelos. O céu que escorregava numa rapidez exorbitante e os pés dormentes de tanto caminhar sem rumo. Fecharam os teus olhos porque já não aguentavam encarar os meus. Ao abrirem, já fitavam o teto. Ficaram longe, me mantiveram longe e eu tornei-me pó. Teus olhos olharam fundo nos meus para me afastar de vez. Havia amor refletido nos teus olhos... Mas ele vinha dos meus.

Vitória.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Talk dirty to me...